sexta-feira, 7 de abril de 2017

Trump e a guerra


Muitos nos enganámos no resultado das eleições presidenciais americanas. Mas poucos nos equivocámos quando previmos aquilo que o início do mandato de Donald Trump poderia vir a ser.

A agenda externa de Trump foi, desde o primeiro momento, observada com uma curiosidade preocupada por muitos amigos tradicionais dos Estados Unidos. Os sinais de estranha simpatia para com Putin, a agressividade desproporcionada perante o México, a sobranceria algo agressiva face à União Europeia, algum desdém face à NATO, um discurso com uma ligeireza irresponsável sobre a proliferação nuclear, um total desprezo pelas Nações Unidas e sinais de hostilidade aberta para com a China mostravam uma política externa com a abertura de várias “frentes” de contraste. Os EUA de Trump assumiam uma linha de revisão, não apenas da linha da administração democrática anterior, mas igualmente da América que, desde há quase sete décadas, fora o campeão de uma nova ordem multilateral e da arquitetura institucional e segurança a que aculturara o mundo que se revia na sua liderança.

Trump anunciou espécie de novo isolacionismo, uma agenda nacionalista movida exclusivamente por interesses de natureza económica, que esquece os valores referenciais que, por muito tempo, haviam colocado os EUA na posição de liderança global. A contestação dos tratados em vigor (como a NAFTA, com o México e o Canadá), já assinados (como a Parceria transpacífica com os seus aliados ásio-oceânicos) ou em curso de negociação (como o Parceria transatlântica com a UE) revelou um impulso protecionista pouco óbvio para uma potência que foi sempre um dos grandes ganhadores do livre-cambismo. A cereja no bolo são agora os recuos anti-ambientais na área da energia, que podem colocar em causa compromissos laboriosamente conseguidos à escala global.

Dei a este artigo o título que ele tem porque, para além de todas as incertezas que atrás referi, começam a adensar-se sinais sérios de que não é de excluir que a ação externa de Trump possa vir a assumir contornos de natureza um pouco mais complexa. Aquilo que nos chega da Casa Branca quanto à vontade de empreender uma ação “exemplar” no caso da Coreia do Norte (com as imponderáveis consequências na República da Coreia e na atitude da China) ou uma eventual presença “boots on the ground” na Síria (com o embate expectável com a Rússia e o Irão), são sinais de que pode estar a forjar-se em Washington um tropismo algo aventureirista, uma espécie de “fuga em frente”, que podem confirmar os piores receios que a eleição de Trump suscitou pelo mundo.

1 comentário:

Joaquim de Freitas disse...

DonaldTrump
“President Obama, do not attack Syria. There is no upside and tremendous downside. Save your "powder" for another (and more important) day”
Assim se exprimia há algum tempo Donald Trump.
Não há dúvida nenhuma que quando ainda se está fora do poder, a hipocrisia reina. Depois , é "dans l'intérêt vital de la sécurité nationale" des Etats-Unis. » e em nome da « La "justice" des "nations civilisées" que se bombardeia um pays soberano.

No fundo, nada de novo, pois que desde o Vietname, o Afeganistão, o Iraque, a Líbia e dezenas de outros países que os EUA bombardeiam com ou sem aval da ONU.
As vítimas desta guerra civil que durou demais, são de lamentar. O regime de Assad é criminoso, nem menos nem mais que aquele que clama justiça agora.

Não esquecer a Líbia : Hillary Clinton: «Chegámos, vimos… e ele morreu!» sublinhando com gargalhadas alvares o regozijo assassino.
O seu clone Madeleine Albright, secretária de Estado de Bill Clinton, respondendo a uma pergunta na TV sobre as 500 mil crianças mortas no Iraque como resultado das sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos, afirmou: “Acredito que o custo compensou”.
Estas hediondas feras saídas do mais medonho dos covis regozijam-se pelo sofrimento que vêm infligindo.