quinta-feira, 18 de maio de 2017

Saudades de Américo Tomás

Aquele amigo, quando me viu chegar, um tanto afogueado, com um atraso de cinco minutos, a uma palestra em que eu ia intervir, ao final da tarde de ontem, no Palácio da Independência, ali junto ao Rossio ficou surpreendido quando, de raspão, dirigindo-me à mesa, lhe deixei um críptico "Que saudades tenho do Américo Tomás!". Esse amigo conhece-me bem, politicamente, e claro, imagino que ficou desconcertado com a minha saída.

O dia de ontem foi muito complicado. Uma reunião de manhã, um almoço a trabalhar, um encontro logo a seguir, conclusão de um parecer de consultoria para uma empresa, preparação de uma aula, a palestra acima referida e, finalmente, sem tempo para jantar, duas horas de aula, terminadas às 23.30. Só ao virar do dia, tive tempo para uma sandwich e uma cerveja, no balcão do Procópio. Os dois dias anteriores não tinham sido muito diferentes e os de amanhã e sexta-feira vão também ser de alguma correria.

O grande problema de reuniões e trabalhos em sítios diferentes de Lisboa (e arredores), como é o meu caso, é a dificuldade de me deslocar, de arranjar lugar para o carro, de fazer telefonemas a meio do percurso. assim, vivo em cima da hora de tudo. E as obras do meu amigo Fernando Medina, somadas às surpresas no trânsito, não ajudam nada.

A saída da palestra no Palácio da Independência, quando eu já "voava" dali para o compromisso seguinte, o meu amigo que tinha encontrado à entrada, inquiriu, ainda perplexo: "O que é que tu querias dizer com aquilo do Américo Tomás?".

Expliquei-lhe que, com uma vida destas, o que me dava uma "jeitaça" era ter um motorista, que me levasse aos locais, esperasse por mim à saída e me ajudasse a relaxar, sem conduzir, entre os eventos, dando-me tempo para telefonar e consultar emails. Porém, ele continuava sem perceber a "saudade" personalizada a que eu aludira. Foi então que lhe expliquei que, desde há alguns anos, deixara de ter motorista, porque acabaram entretanto os cargos oficiais que antes tinha e, do meu contrato com as várias entidades privadas com quem trabalho, não faz parte essa "mordomia". Ora o último motorista que tive, de quem agora sentia "saudades" práticas, chamava-se (e chama-se) precisamente... Américo Tomás!

(Um abraço para si, Américo!).

6 comentários:

Luís Lavoura disse...

Ande de táxi (ou Uber). É o que as pessoas fazem em Nova Iorque.

Majo Dutra disse...

~~~
!!!: )))
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Anónimo disse...

Lembro-me de ler algures que um professor catedratico restringia o tempo das reunioes com um esquems no quadro em que se resumia o conteudo de cada intervencao.
Assim nem se repetiam, nem se falava oca e vaidosamente sem escutar os colegas.
Tinha de ficar tudo resolvido para que o professor conseguisse chegar a tempo de ir buscar os filhos que andavam na escola.

Anónimo disse...

Não pense em antiguidades.

Seja moderno: Chame a Uber.

Ana Vasconcelos disse...

Há muito que digo que luxo não é ter carro de topo, é ter motorista.

Anónimo disse...

Podia utilizar uma bicicleta eléctrica, nos quilómetros (inúteis)executados pelos seus amigos da CML.