quarta-feira, 28 de junho de 2017

Necessidades


Daqui a dias, muitas centenas de candidatos vão iniciar essa longa maratona que é o concurso de acesso à carreira diplomática. É "apenas", e a uma larga distância, o mais exigente e difícil concurso de toda a Administração Pública portuguesa. Serão apenas trinta os que, no fim do exercício, virão a ser admitidos. A esses, espera-os uma carreira muito exigente, cheia de "patamares" (adido de embaixada, secretário de embaixada, conselheiro de embaixada, ministro plenipotenciário, embaixador), com um percurso por várias geografias, por esse mundo fora, em consulados ou embaixadas, passando alguns por organismos multilaterais. Uma vida que lhes vai mudar a vida e, podem crer, também o modo de olharem para o papel do país no mundo.

Iniciado há algumas semanas, organizámos na Universidade Autónoma de Lisboa um curso de preparação para candidatos a este exame, que contou com um número apreciável de alunos. Tive o gosto, uma vez mais, a convite da Autónoma, de coordenar o intenso programa de aulas, durante as quais passámos em revista todos os temas que podem vir a ser abordados nas provas. Da economia internacional à história diplomática e à política externa portuguesa, do direito internacional às questões europeias, passando pelas temáticas políticas da atualidade mundial, procurámos habilitar os alunos a ultrapassarem os obstáculos daquele concurso. Esse trabalho terminou hoje. Foi um belo exercício, na minha perspetiva. Só posso desejar toda a sorte do mundo a quem nele participou.

2 comentários:

Anónimo disse...


Os candidatos, em cursos como esse, são informados da dureza da vida como diplomata para ele e os seus familiares mais próximos durante quase toda a Carreira.
É que andar-se com os filhos e a casa às costas a mudar de posto, de três em três anos ou às vezes ainda menos tempo, não deve ser nada fácil.

Depois há as esposas/esposos que teem a sua vida de trabalho organizada e assim nem sempre podem acompanhar o/a diplomata. Espero que os que ganham esse concurso não vão ao engano a pensar em vida social glamorosa e condecorações.

Para se ser diplomata deve ser preciso ter muita vocação para aguentar tantos embates ao longo de uma vida profissional tão dura e às vezes solitária e trabalhosa.
Quanto aos conhecimentos adquiridos até agora são importantes pela certa mas "the fortitude of character" é talvez mais necessário de se perceber se está à altura da profissão. É que os conhecimentos têm de ser actuaizados, ao longo da Carreira e a outra parte não se adquire com o desenrolar da profissão. Ou se tem ou não tem.

Anónimo disse...

Os candidatos mais de um milhar, concorrem para trinta vagas.
A sorte dos seus conhecimentos coincidirem com os testes é fundamental.

As provas são eliminatórias para quem não conseguir 14 pontos.

"It always seems impossible until it´s done".