segunda-feira, 17 de julho de 2017

Ainda os ciganos

Parece que está a custar a entender a algumas pessoas que a defesa da não estigmatização dos ciganos nada tem a ver com uma atitude de permissividade face a comportamentos delituosos de cidadãos dessa origem étnica.

Condenem-se, com todo o rigor, todos os cidadãos de etnia cigana envolvidos em qualquer tipo de atos delituosos ou criminosos. Condenem-se os ciganos como se condenaria qualquer outro cidadão - branco, preto ou às riscas. 

Qualquer outra atitude que, neste contexto, singularize os ciganos tem o nome de racismo. E quem a assumir é racista. Ponto. 

É assim tão difícil de perceber?

12 comentários:

Anónimo disse...

E as raças e costumes são diferentes. E qual é o problema de não aceitar isso?

Anónimo disse...

Cidadãos... a pergunta é, se eles o são. No tempo dos Romanos, a cidadania era um prémio.

Anónimo disse...

O anoninmo das 20:22 esta convencido que todos aqueles que nascem numa comunidade usam os costumes dessa comunidade a vida toda? Vai à missa e veste o fato ao domingo, faz o jejum na pascoa? O conceito de raça não existe geneticamente, o que vexa querera falar é de costumes, e de costumes apenas
. Portanto para si as ciganas que se emancipam deixam de o ser?

https://repositorio.iscte-iul.pt/bitstream/10071/9681/1/publisher_version_144_546_1_PB.pdf
http://www.tsf.pt/programa/reportagem-tsf/emissao/as-passadas-cautelosas-das-mulheres-ciganas-891748.html
http://www.dn.pt/sociedade/interior/mulheres-dao-passos-importantes-para-a-igualdade-de-genero-5164262.html
http://observador.pt/2016/04/08/estudar-na-universidade-um-sonho-tornado-realidade-vez-ciganos/


Uma mulher arabe livre como existem tantas em França (não é que não exista também o contrario) deixa de ser arabe?

O amigo vai à patria de Voltaire e imagino para que não possa fugir à tradição sera maçon, tera vasta pilosidade, tera a bandeirinha portuguesa na furgonette, ouvira o Carreira, tomara umas Sagres e umas febras ao domingo, tera um fraco nivel de educação, e sei la que mais estereotipo, isto tudo claro está, para ser português. Porque como qualquer francês lhe dira os portugueses são todos assim... Qual é o problema de não aceitar isto?

Quando o amigo ou a amiga for a Paris avise que é para que possa perguntar à sua mulher se quer ser concierge la no prédio ou ao seu marido se quer arranjar umas portas e mais umas coisas assim.


Anónimo disse...

Se convém ao PSD, isso significa que este entende que a mensagem do seu candidato diz muito a uma parte substancial do eleitorado. Se assim é, gastariam as boas almas melhor o seu tempo tentando perceber o que há de verdade em algo que - aparentemente -, se tornou senso comum.

Anónimo disse...

Ao contrário do que diz 18 de julho de 2017 às 08:51 é sempre bem mais produtivo descobrir o que há de mentira naquilo que se tornou senso comum e a partir daí lutar para derrubar esse senso comum de café.

Anónimo disse...

É curioso que hoje é de bem, termos que aceitar que brancos, negros, amarelos, e outros, assim como, homossexuais, heterossexuais e outras derivações acabadas em ai são iguais. Não são. De todo. Não são uns melhores do que outros, não é isso que está em causa, mas não são todos iguais, e cada um tem o livre direito de ter a sua opinião e de aceitar ou não.

Anónimo disse...

Diz 18 de julho de 2017 às 13:48 que cada um "tem o livre direito de ter a sua opinião e de aceitar ou não."

É um argumento fascista, de embotado cívico, do direito do mais forte à liberdade. Um argumento canalha, mascarado de democrata.

É a quadratura do círculo, se não me aceitam por ser diferente como é que sou livre? Sou livre de quê? Não existo, não entro, não faço, não estou, não sou?

Anónimo disse...

"É curioso que hoje é de bem, termos que aceitar que (...) são iguais"

Perante a lei meu caro e perante deus, se vexa for um bom cristão, somos todos iguais. Se vexa quer um pais que diga que a lei nao seja igual para todos os cidadaos diga-o por favor.

(e nao é, é esse uma das coisas que a meu ver nao ajuda nesta questao dos ciganos, o facto de serem discriminados positivamente (sendo que varios dos membros da comunidade sao conhecidos por serem criminosos))

Anónimo disse...

"18 de julho de 2017 às 12:15", por falar em lutar: chegaram a prender os tipos da "etnia cujo nome não se pode pronunciar para não ser racista", que andaram aos tiros há um par de anos, num bairro em Loures onde toda a gente - independentemente da cor e feitio -, se queixa deles?

Lembra-se das imagens? Parecia a América!

Anónimo disse...

18 de julho de 2017 às 21:52,

Q.E.D.

As imagens cheiram-lhe a América, não tem mais recursos intelectuais do que o da comparação de café. É isto assim, assim e generaliza indignado. Não vê se será epifenómeno, não contextualiza, não nada.


Viu as imagens do cerco e invasão dos pretos à esquadra de Alfragide em 2015? Dois anos depois, estão aí 18 acusados de tortura, tratamentos cruéis, desumanos e degradantes de sequestro racismo.

Joaquim de Freitas disse...

“Les gens du voyage”, como se diz em França, nunca serão completamente sedentários. Desde que sentem uma pressão, voltam para a estrada.

Se a sociedade pudesse realmente oferecer a esta gente nómada um verdadeiro estatuto que lhe permitisse ganhar decentemente a sua vida, com um verdadeiro trabalho, a sociedade iria melhor.

Mas integrá-los na comunidade supõe que esta possa realmente dispor de meios para o fazer. Mas quando vejo os milhões de Portugueses que são obrigados, eles também, a ir “para a estrada” da emigração, pergunto como seria possível fazer melhor para os Ciganos. E se estes Portugueses não são considerados como “Ciganos” existe entretanto a”conotação” de estrangeiros, migrantes. E em tempos de crise, podem ser vistos também, pelos autóctones como uma espécie de “Ciganos”. Os Portugueses nomadizam fortemente desde anos. Assim vai o mundo…

Os Americanos resolveram parcialmente o problema dos seus “nómadas”, os Índios da América, reservando-lhes a exploração exclusiva de certas actividades lucrativas em certas reservas. Mas não se trata de alguns trabalhos sazonais ou reparação de cadeiras…

Em Monument Valley, dormi num hotel gerido pelos Navajos… E porque não? Como certos casinos, parques de atracção, etc.

Do ponto de vista moral, nao esquecer que Os ciganos são reconhecidos desde 1990, como uma « etnia europeia », assim decidiu a UE. Mas mesmo entre os “europeus não ciganos” existem tensões, quanto mais não sejam, políticas e económicas. Para muitos pobres diabos nos países do sul da Europa, muitos são tão pobres como os ciganos, mas porque os ciganos parecem ainda mais pobres que eles acabam por ser indesejáveis.
Mas não devíamos esquecer que os ciganos foram desde sempre vítimas da sua não integração no modo de vida da comunidade europeia. E muito por culpa deles também, é certo.

Os nazis procuraram resolver o problema à sua maneira, num verdadeiro holocausto, exterminando de maneira sistemática mais de 1 000 000 de ciganos nos fornos dos campos de concentração, particularmente de Auschwitz-Birkenau, onde foram cobaias do Dr. Mengele, Mortos por nada, porque ninguém levantou a voz para os defender. Quase como para os Judeus. O Papa João Paulo II tinha pedido perdão ao povo judeu, em nome da Igreja Católica.

Um dia virá em que outro papa associará também o Povo Cigano a outra manifestação de arrependimento. Para o momento, não lhes foi ainda imposto de coser a letra “C” nos vestuários, mas a poderosa vaga de xenofobia que assola a Europa, obriga a temer que isso venha a acontecer.

Francisco de Sousa Rodrigues disse...

Sobre a temática da etnia cigana, remeto para uma pesquisa de artigos do Prof. José Gabriel Pereira Bastos (FCSH-UNL), antropólogo e psicanalista, que tem um trabalho notável na matéria.