segunda-feira, 20 de novembro de 2017

A Agência


A Agência Europeia do Medicamento não vai para o Porto. É pena que a segunda cidade portuguesa não tenha podido vir a sedear esta importante estrutura da constelação de instituições europeias, que muito ajudaria a potenciar o Porto e a região norte no quadro continental. O governo português, bem como a estrutura coordenada pela municipalidade portuense, fizeram tudo quanto estava ao seu alcance para garantir o objetivo do Porto. Mas, infelizmente, não tiveram sucesso.

Agora que tudo terminou, devo dizer que nunca acreditei minimamente que este objetivo pudesse ser atingido. As agências não são todas iguais e esta, em particular, tinha uma dimensão, nomeadamente em matéria de recursos humanos, que, desde o primeiro momento, me pareceu menos compatível com a sua instalação numa cidade como o Porto. Desde logo, não era por acaso que até agora estava colocada em Londres. E temos de ser realistas: cidades como Amesterdão, Copenhague ou Milão, tal como Barcelona, neste caso se não estivesse a atravessar uma bagunça, ofereciam naturalmente melhores e mais apelativas condições. 

Fica agora aberta (para sempre) a especulação sobre se Lisboa não teria sido uma muito melhor opção, como estava previsto desde o início. O argumento de que já por lá existem duas (minúsculas) agências não me convence. Lisboa era, claramente, a única cidade portuguesa com condições potenciais para albergar uma agência desta importância. Não faço ideia se ganharia, perante tão poderosos concorrentes, mas as suas “chances” seriam incomparavelmente muito maiores, nomeadamente atendendo à visibilidade excecional que a cidade está a ter por toda a Europa. Digo isto como nortenho, gostando imenso da cidade do Porto, favorecendo fortemente tudo quanto possa vir a contribuir para a descentralização do país e achando que a tradicional macrocefalia de Lisboa tem de começar a acabar. 

13 comentários:

Anónimo disse...

O que interessa é que os putos tiveram direito à sua birrinha.

Anónimo disse...

Estão a tentar dourar a pílula. Foi uma candidatura honrosa, o Porto mostrou que era capaz, etc. Bah!!!

Anónimo disse...


Nunca percebi porque se tem de dar tantas explicações quando o país perde um concurso internacional europeu. Será porque se gritou tanto que sim, que sim, que o Pooorto [ os correctores de serviço não se zamguém com tantos ô's ] é o màyór e que afinal não foi.
A humilhação foi bem mais dura do que se tivessem dito à partida que a hipotese seria remota para o país, mas tínhamos concorrido com esforço. E depois logo se via.
Será tudo isto uma forma de propaganda tôla mal concebida.

victor sousa disse...

basta atentar na mediocridade do júbilo que por aí vai, e a falta de rigor na avaliação da mudança, se vier a acontecer, para percebermos quão medíocre vai este país.

Luís Lavoura disse...

Lisboa teria tantas hipóteses como o Porto. Fica no cu da Europa, a duas horas de distância de vôo das grandes capitais, sem ligações de comboio. Para uma agência com a movimentação da do Medicamento, não serve.

Anónimo disse...

Luís Lavoura: Lisboa teria mais hipóteses por uma questão de tamanho e notoriedade internacional. Não pense que todos aqueles trabalhadores qualificados achariam igual viverem numa cidade média ou numa cidade grande, na moda e capital de um país.

Manuel do Edmundo-Filho disse...

É inegável que as chances de Lisboa seriam maiores. António Costa cedeu ao bafiento regionalismo "nortenho" que acha que descentralizar o país é dar a primazia à cidade do Porto.

A macrocefalia de Lisboa está para o país como a macrocefalia do Porto está para a região Norte. Fala um nortenho (de Vila Real) que não confunde o Norte com o Porto...

PS.: Costa está a ceder muito. Ontem foi ao Moreira, agora é ao Mário Nogueira, amanhã aos militares, seguem-se depois os magistrados judiciais...

Anónimo disse...

Lisboa era claramente uma melhor opção, tinha todas as condições requeridas. Apesar de tudo obviamente a Agência Europeia do Medicamento era uma agência com um dimensão relevante e os países mais perto do centro da Europa tinham mais vantagens.

Um outro factor me surpreendeu nesta escolhas das agências, não foi possível ir além de empates nas votações e as cidades escolhidas tiveram de ser sorteadas. Com a saída da Grâ-Bretanha ficam só 26 países a decidir e isto pode ser o prenúncio de mais empates e complicações para algumas decisões.

Anónimo disse...

Cá para mim o PM sempre soube desde o início que Lisboa não teria hipóteses de vir a ser escolhida, não por a cidade não ter condições, mas pela centralidade de muitas outras cidades da Europa, critério decisivo para a escolha de uma Agência deste tipo.

Mas estou certo de que o PM conheceria também há muito tempo os apoios que as cidades concorrentes já estariam a recolher, pelo que tornar Lisboa perdedora num momento em que ela se apresenta como uma referência turística na Europa, transformar uma candidatura supostamente ganhadora num fracasso do país, seria uma má negociação.
E António Costa tem um extraordinário instinto negocial.

Deixou assim o odioso para Rui Moreira, sabendo que o Porto não perde tanto como perderia Lisboa com uma candidatura mal sucedida. A todos pareceu que dava ao Porto o que poderia ser de Lisboa. Foi um presente envenenado.

Mas a bem do país, que fica agora com créditos para novas candidaturas.

Luís Lavoura disse...

Anónimo de 21 de novembro de 2017 às 11:49

Não são os trabalhadores (mal fôra!) da Agência Europeia do Medicamento quem escolhe ou tem o direito de escolher onde ficará situada a Agência. A União Europeia tem a obrigação e o direito de escolher a localização da Agência em função dos seus interesses e não dos interesses dos trabalhadores. É natural que os trabalhadores da Agência prefiram viver ao sol de Lisboa do que na morrinha portuense ou amsterdanense. Mas para a União Europeia tanto Lisboa como o Porto têm basicamente o mesmo (pouco) préstimo. E a União Europeia é quem decide.

Anónimo disse...

Acabado de anunciar: a sede do Infarmed vai para o Porto!
Prémio de consolação para os putos não fazerem beicinho!

Ridículo!

Anónimo disse...

"21 de novembro de 2017 às 12:12" - isso resolvia-se entrando a Catalunha! :)

Anónimo disse...

Este governo de tonecas sabe bem "trabalhar" o verbo iludir:

Eu não iludo
Tu iludes
Ele não quer ser iludido
Nós não temos dinheiro
Vós não deveis pensar só nas eleições
Eles vão ter de se contentar com o descongelamento que já têm....